quinta-feira, 26 de junho de 2014

Me deixe aqui, com minha dor!


As pessoas são tão egoísta, que se tornam incapazes de ver o que está nas entrelinhas. As vezes, queremos tanto a atenção de alguém, que as pessoas acham que só são importantes a nossa vida, se falarmos a elas um livro em uma conversa, e se esquecem que muitas vezes, a melhor conversa que podemos ter com alguém, é ficar sentada ao seu lado em silêncio... Nos tornamos tão invisíveis, que as pessoas da nossa própria convivência, não conseguem entender o porque de algumas de nossas atitudes, e ainda nos julgam, como um condenado a sofrer, no corredor da morte. E fazem isso como se nunca tivessem errado na vida. Expõem nossos erros e fraquezas, como se seus pecados não existissem, e são tão desumanos, que são incapazes de nos estender a mão, sem que já estejam esperando tirar alguma vantagem disso, e ainda nos empurram ladeira abaixo e ficam assistindo nossa queda, como um espetáculo prazeroso... Mundo mesquinho e mízero esse nosso, onde só se vale o que se tem, onde "amor" mudou de nome e passou a chamar-se de "dinheiro". Carinho passou a se chamar "sexo", e amizade entre duas pessoas quase não existe mais... Daqui a alguns dias não, aliás já é assim, já não somos mais apresentados pelos nomes, e sim pelo que temos (este é o dono de tal bem, esse é o empresário tal, diretor de tal empresa...), nomes? Este vem depois de fazerem um "relatório financeiro" sobre nós... Já não somos mais lembrados por um abraço, por carinho, por um ato de amor, e sim, pelo que podemos se úteis a alguém... Mundo nojento esse, onde as famílias não se amam mais, se suportam. Não há diálogo e nem gentileza, só brigas, contendas e competição. Não existe mais respeito, não se pedem a bênção e não há amor, carinho, consolo... Onde sair de casa é um alívio, porque a convivência se tornou insuportável e dentro de um lar, se é que se pode ser chamado assim, não há uma gota seca de paz... Nem sempre há em mim vontade de lutar... Sobreviver as vezes tornou-se questão do destino, e viver já se é tão distante, quando abrir os olhos em um novo dia dói, porque de novo não há nada. E a vontade de transformar um dia qualquer em um dia feliz e diferente já não existe, porque já não há motivos pra isso... Os dias bons e felizes se tornaram cada vez mais raros, e sorrisos é apenas uma forma de se esconder as lágrimas da alma, e se manter de pé todos os dias, é apenas uma armadura para esconder a dor insuportável que trago comigo escondida dentro de mim... Mas no fundo, bem lá no fundo, ainda respira uma esperança de tudo mudar... E é isso que ainda me mantem viva, o que ainda me dá vida. Sabe aquela esperança boba, de está ao lado da pessoa mais especial que há no universo pra você? De sentir o cheiro, tocar seus cabelos, ouvir sussurros baixinhos me acordando pela manhã, ter toda noite seu calor, conversar abraçadinhos e dormir agarradinhos... A esperança boba e ao mesmo tempo, única que me move, de um dia ser feliz, e arrancar do meu peito essa dor e tatuar felicidade, encima de cada cicatriz infeliz, que a vida cravou em mim... Eu poderia sair por aí, sorrindo e cantando, fingindo ser forte e que está tudo bem, hoje eu poderia refazer a maquiagem, colocar uma roupa bonita, usar meu salto mais alto e ir a balada... Hoje eu poderia fazer todos a minha volta rirem com minhas piadas sem graça e meu jeitinho moleca... Hoje eu poderia sentar e escutar os problemas e histórias dos outros, dar conselhos e ajudá-los e encontrar as soluções pra seus problemas... Mas não, hoje não! Estou cansando de ser fortaleza pra os outros e não ter nem um ombro amigo verdadeiro pra chorar. Estou farta de fingir que sou de lata... Caramba, que mundo de cão, de cão mesmo, porque tem cachorro que tem vida de rei e humano com vida de alma penada sem direito a nada... Me deixem aqui no meu canto, sentada embaixo do choveiro, com o som bem alto, tão alto que não escuto nem meus pensamentos, e me deixe chorar... Hoje eu só quero ficar quietinha e chorar tudo que dói aqui dentro, me deixe soluçar até perder o fôlego, chorar a dor que nem eu mesma sei o que é, chorar minhas amarguras, cohorar minhas amargas e secretas amarguras e desilusões... Me deixe suforcar nas palavras que eu nunca disse, e dormir eternamente, no meu sonho bom adormecido... E não me acorde, não me deixe despertar, me deixe aqui no meu cantinho, chorar até adormecer e adormecer pra nunca mais acordar. E no meu sono eterno, no meu sonho bom te encontrar, longe de toda essa amargura, e quem sabe ser feliz, mesmo sem acordar... 




Autora: Daiane Vieira.
Música de Fundo: "Pôr do sol - Sorriso Maroto".
Ilustração: Google Imagens.

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