terça-feira, 29 de julho de 2014

Psicoses

 

De repente, tudo escureceu...
Sentada a beira do mar, em um lugar que parece mágico, posso olhar pra dentro de mim e ver tudo o que há de escuro e de luz, de turbulento e de paz... Refletindo sobre mim, esbarro-me em ti, impossível existir apenas o "eu", porque hoje, só existe o "nós"! Fico sentada em silêncio, a pensar, refletir e observar... Tentando entender tudo o que está acontecendo, e o porque de certas coisas simplesmente não acontecerem... Procurando o porque de ainda está viva, se a vida parece não ter sentido de existir... Passando algum tempo, volto para meu quarto, já transtornada, na loucura dos meus pensamentos... E o teto parece cair aos poucos... As paredes se movem, parecem querer me tragar, o chão parece se mover, abrindo um buraco negro... Alguém parece se aproximar, mas não chega... Eu me encolho ao máximo, me enrolo, mas meu cobertor é o meu medo... No paladar, surge um sabor amargo... O corpo gélido, vibra tremendo e umedecido de suor, mesmo queimando em febre... Os dedos esmagam-se uns aos outros... Os olhos se apertam cada vez mais fortes, ao tentar abri-los... A boca trava, os lábios não se movem, a voz não sai e o único som que ouço, é meu grito em silêncio... No meu mundo, as estrelas se esconderam, as nuvens se camuflam na escuridão, a lua não aparece, o mar braveja sua dor, numa conversa entre sussurros, e o vento trás consigo um perfume, que de desconhecido tornou-se conhecido... O medo trás alucinações que parecem reais. Tudo parece estranho, irreconhecível... fico perdida em um caos dentro de mim... O medo não só aumenta... Mas leva junto minha paz... Sinto medo do vazio que há em minha alma, medo da escuridão que me rodeia, dos fantasmas que cercam, da solidão que me apavora, da rejeição que me devora aos poucos, como se um ácido muito forte, me consumisse aos poucos, bem lentamente... Queria não pensar em nada, queria esquecer de mim, esquecer de tudo, como numa aminésia repentina. Queria sumir no tempo, no vento, como uma folha seca na ventania e feio fumaça, desaparecer pra sempre, sem rastro, sem marcas, sem vestígios, sem lembranças...

É assim que fica uma alma, quando perde sua razão de viver...




Autora: Daiane Vieira.
Música de Fundo: "Perdi - Ana Costa"
Ilustração: Google Imagens.

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